O Campeonato Paraibano da 2ª Divisão de 2026 terá uma característica que já se tornou um tanto quanto recorrente no futebol paraibano: boa parte dos clubes precisará procurar uma casa longe de sua cidade-sede. Dos dez participantes da Segundona, sete vão mandar seus jogos em outros municípios, seja por parcerias com prefeituras, mudanças de sede ou pela falta de disponibilidade dos estádios locais.
A competição está marcada para começar no dia 12 de setembro e contará com Atlético Santa Rita, Auto Esporte, Cruzeiro de Itaporanga, Desportiva Guarabira, Femar, Picuiense, São Paulo Crystal, Spartax, Socremo Serrano e Sport Jacaraú. Serão nove rodadas na primeira fase, com todos os times se enfrentando uma vez. Os dois primeiros avançam diretamente às semifinais, enquanto os clubes entre a 3ª e a 6ª colocações passam por uma repescagem. Ao fim do campeonato, dois times garantirão o acesso à elite paraibana de 2027.
Com a competição se aproximando, os clubes também já encaminharam suas respectivas casas. O mapa da Segundona vai passar por diferentes regiões do estado, indo do litoral ao Vale do Piancó.
Auto Esporte – Almeidão, em João Pessoa

Um dos poucos participantes que permanecerão em sua cidade de origem é o Auto Esporte. O Macaco Autino vai mandar seus jogos no Estádio José Américo de Almeida Filho, o Almeidão, em João Pessoa.
A escolha foi confirmada pelo próprio diretor executivo de futebol do clube, Joacil Júnior, durante o Conselho Técnico da competição. Segundo o dirigente, por ser um clube da capital, a intenção é atuar no principal estádio de João Pessoa. O Auto vem realizando seus treinamentos no Mangabeirão, patrimônio do clube localizado no bairro de Mangabeira, mas os jogos da equipe profissional na Segundona terão o Almeidão como casa.
Spartax – Almeidão, em João Pessoa
O Spartax será o outro representante da capital e também utilizará o Almeidão para os seus mandos de campo. Assim, o estádio será compartilhado pelos dois clubes pessoenses durante a primeira fase.
Cruzeiro – Zezão, em Itaporanga

Depois de utilizar outras cidades em competições recentes das categorias de base, o Cruzeiro voltará para casa na Segundona. A Raposa do Vale mandará suas partidas no Estádio José Barros Sobrinho, o Zezão, em Itaporanga.
O retorno aproxima novamente o time de sua torcida na busca pelo acesso. O Cruzeiro chegou às semifinais da Segunda Divisão em 2025 e volta a tentar uma vaga na elite estadual.
Desportiva Guarabira – Moura Filho, em Alagoinha

A situação da Desportiva Guarabira é diferente. O Azulão do Brejo não poderá utilizar o tradicional Sílvio Porto, em Guarabira, devido às obras realizadas no estádio. A alternativa encontrada foi o Estádio Moura Filho, em Alagoinha.
A mudança, ao menos geograficamente, não levará a equipe para muito longe de sua torcida. Alagoinha fica a cerca de 14 quilômetros de Guarabira, em um deslocamento de aproximadamente 20 minutos. O acordo para utilização da praça esportiva foi fechado entre o clube e o poder público municipal.
Atlético Santa Rita – Ribeirão, em Itapororoca

Estreante na Segunda Divisão, o Atlético Santa Rita também deixará sua cidade de origem. O Tigre fechou uma parceria para estabelecer sua estrutura em Itapororoca e pretende mandar as partidas no Estádio José Ribeiro, o Ribeirão.
Apesar de carregar Santa Rita no nome, a diretoria já trabalha com a ideia de criar raízes em Itapororoca durante a participação no futebol profissional.
Femar – O Rodrigão, em Umbuzeiro

Originalmente ligado a João Pessoa e com um histórico de mudanças de sede ao longo de sua trajetória, o Femar terá a cidade de Umbuzeiro como casa em 2026.
As partidas serão realizadas no Estádio Municipal O Rodrigão. A equipe desenvolve o projeto para a Segundona em parceria com o município e já realizou avaliações de atletas na praça esportiva durante a preparação para o campeonato.
Picuiense – Carneirão, em Cruz do Espírito Santo

A Picuiense será o clube que enfrentará uma das maiores distâncias entre sua cidade de origem e a sua nova casa. O Papagaio deixará Picuí e mandará seus jogos no Estádio Antônio Carneiro da Cunha Neto, o Carneirão, em Cruz do Espírito Santo.
O estádio já possui experiência no futebol profissional e por vários anos foi a casa do São Paulo Crystal.
São Paulo Crystal – Estádio Municipal, em Massaranduba

E justamente o antigo dono do Carneirão também mudou de endereço. O São Paulo Crystal fechou uma parceria com a Prefeitura de Massaranduba e terá o município do Agreste como sede durante a Segunda Divisão.
Os jogos serão realizados no Estádio Municipal, enquanto Massaranduba também receberá parte da preparação do elenco. O município fica a aproximadamente 21 quilômetros de Campina Grande.
A mudança é mais um capítulo do perfil itinerante do São Paulo Crystal. Ao longo de sua trajetória profissional, o clube já esteve instalado em locais como Cruz do Espírito Santo, Alagoa Nova e Campina Grande.
Socremo Serrano – O Feitosão, em Monteiro

A parceria entre Serrano e Socremo continuará por mais uma temporada. Embora o Serrano seja originalmente de Campina Grande, o projeto seguirá representando Monteiro e terá o Estádio Inácio José Feitosa, o Feitosão, como casa.
A relação começou ainda na disputa da Terceira Divisão e recolocou Monteiro no mapa do futebol profissional paraibano. A parceria envolve também o apoio do município e a utilização da identidade da tradicional Socremo junto ao projeto do Serrano.
Sport – Julhão, em Jacaraú

Outro clube que mudou significativamente de endereço ao longo de sua história é o Sport-PB. Nascido como Sport Campina e posteriormente estabelecido em Lagoa Seca e Lucena, o Carneiro terá Jacaraú como casa em 2026.
O clube mandará suas partidas no Estádio O Julhão. A mudança também faz parte de um projeto de aproximação com o município, tanto que a montagem do elenco vem priorizando atletas de Jacaraú e de cidades da região.
Segundona espalhada pelo estado
Desta forma, as dez equipes estarão distribuídas por nove estádios em nove municípios diferentes — Auto Esporte e Spartax dividem o Almeidão. João Pessoa, Itaporanga, Alagoinha, Itapororoca, Umbuzeiro, Cruz do Espírito Santo, Massaranduba, Monteiro e Jacaraú aparecem no mapa de mandos previsto para a competição.
O cenário também evidencia uma dificuldade histórica das divisões inferiores do futebol paraibano: nem sempre a cidade representada pelo clube dispõe de uma praça esportiva pronta ou disponível para receber partidas profissionais. Em 2026, isso fará com que a maioria dos participantes busque torcida, estrutura e até uma nova identificação em outros municípios.
Imagem: Futebol da Paraíba





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