Por: Alê Salviano

Toda vez que um clube paraibano cruza a divisa do estado, uma pergunta volta à tona: qual é, de fato, o tamanho do nosso futebol? A resposta, infelizmente, tem sido dura. A fragilidade do futebol paraibano fica exposta sempre que sai do seu próprio ambiente. E os episódios mais recentes reforçam essa percepção.

O caso mais emblemático é o do Serra Branca, que foi até a Bahia enfrentar o Porto e protagonizou um roteiro difícil de explicar. Vencia por 1 a 0, tinha dois jogadores a mais em campo e parecia ter o controle absoluto da partida. Ainda assim, sofreu a virada e perdeu por 2 a 1. Não foi apenas uma derrota; foi um colapso competitivo. Em vantagem numérica e no placar, faltou maturidade, organização e, sobretudo, capacidade de gestão emocional do jogo.

Dias depois, outro golpe. O Botafogo empatou em 1 a 1 no tempo normal com o Mixto-MT, nesta quarta-feira, 25 de fevereiro, mas acabou eliminado nos pênaltis. Mais uma vez, diante de um adversário de outro estado, o representante paraibano não conseguiu se impor.

Mesmo com o alto investimento financeiro dos dois clubes (os dois maiores do estado), a Paraíba sofre com duas eliminações precoces. Esses resultados não são fatos isolados. Eles dialogam diretamente com o cenário interno. O Campeonato Paraibano tem sido marcado por um equilíbrio evidente, mas que, para grande parte da imprensa estadual, é um equilíbrio por baixo. A tabela apertada e a alternância de posições escondem um problema mais profundo: a pouca qualidade técnica apresentada na maioria das partidas.

O argumento de que o Estadual é “competitivo” muitas vezes mascara a falta de intensidade e de organização tática. Quando todos se equivalem, mas por limitações semelhantes, o resultado é um campeonato imprevisível, porém tecnicamente frágil. E isso se revela quando os clubes enfrentam contextos mais exigentes.

Isso não é desmerecer adversários de outros estados, é reconhecer que o futebol paraibano precisa evoluir em planejamento, formação, preparação física e até mental. Enquanto o nível interno não subir, as saídas interestaduais continuarão sendo testes de realidade.

O futebol da Paraíba tem tradição, torcidas apaixonadas e história. O que falta é transformar esse patrimônio simbólico em desempenho consistente. Porque, toda vez que a bola rola além das fronteiras do estado, a conta chega.

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